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18º Congresso Brasileiro de Sociologia
Resumo: 1456-1

Oral Curta (5 mim) - Somente GT


1456-1

A SITUAÇÃO DOS MOTORISTAS DE UBER: SUPEREXPLORAÇÃO DO TRABALHO POR TRÁS DO DISCURSO EMPREENDEDOR

Autores:
BIANCHI, D.1,2, MACHADO, M.S.2
1 FD-USP - Faculdade de Direito - Universidade de São Paulo, 2 FFLCH-USP - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - USP

Resumo:
Em 2016, a Uber chegou a ser a empresa com o segundo maior valor de mercado na Bovespa (US$ 65 bilhões), superando gigantes como Itaú, Ford e Petrobras, ficando atrás apenas da Ambev. Qual o segredo desse rápido sucesso? Basicamente, é disponibilizar milhares de carros e motoristas sem comprar nenhum desses carros e, sobretudo, sem contratar nenhum desses milhares de motoristas, chamados de “parceiros” pela empresa que os superexplora. A chegada dessa empresa no mercado brasileiro ocorre em um momento marcado pela alta nas taxas de desemprego, intensificação da flexibilização das leis trabalhista e valorização da cultura do empreendedorismo. Entender tal contexto é crucial para compreender a situação dos motoristas, que será o objeto principal do artigo proposto. Para tanto, realizamos entrevistas em profundidade com quinze desses trabalhadores precarizados, que começam suas falas reproduzindo o discurso da empresa, especialmente quanto às supostas vantagens da flexibilidade de horários, e acabam, ao longo da entrevista, revelando que são reféns de jornadas excessivas, causadoras de graves prejuízos à saúde física e psíquica desses trabalhadores. Como veremos, enquanto o aplicativo AirBnb, por exemplo, possibilita a livre negociação entre locadores e locatários de imóveis, motoristas e passageiros da Uber estão totalmente subordinados às regras dessa empresa, que define até mesmo o valor da corrida e contribui para o aumento da informalidade da classe-que-vive-do-trabalho.