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18º Congresso Brasileiro de Sociologia
Resumo: 1249-1

Poster (Painel)


1249-1

Outro projeto de escola após as ocupações: emoção, conhecimento e decolonialidade.

Autores:
OLIVEIRA, H.1
1 UFG - Universidade Federal de Goiás

Resumo:
No final de 2015 uma onda de ocupações estudantis secundaristas ganhou força em todo o país, elas obedeciam a demandas e agendas específicas, mas é possível traçar certas regularidades entre elas, que apontam para uma nova forma de ação direta do movimento estudantil. Subjacente à luta é possível visualizar um novo projeto de escola, pois “a sociabilidade horizontal, corresponsável e baseada na proteção do patrimônio público é, ao mesmo tempo, objetivo da luta e criação imediata, uma espécie de antecipação performativa daquilo que se busca” (CAMPOS; MEDEIROS; RIBEIRO, 2016, p. 13). A percepção dos/as estudantes em relação à escola e as motivações que fizeram com que se engajassem na luta, enfrentando a violência desmedida da Polícia Militar, apontam para uma nova forma de organização do conhecimento. Enquanto na sala de aula o professor é chamado a agir de forma descorporificada e neutra (BELL HOOKS, 2013), como na produção de conhecimento científico ocidental, na sua experiência de luta os/as estudantes evocam a todo o momento um sentimento de afetividade com apelo muito forte para as emoções evocadas pela relação com colegas, professores/as, diretores/as e mesmo com o espaço físico da instituição. Dessa forma as demandas estudantis fazem eco a críticas feministas (JAGGAR e BORDO, 1997) e decoloniais (LANDER, 2005) já existentes sobre a produção de conhecimento, que podem ser utilizadas na produção teórica de um novo projeto de escola.